Cícero Macário.
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| Foto de Joseph Iraneudo. |
Cícero Laurentino Dos Santos (Cícero Macário).
Fonte: (Extraído do Livro Voz Verso e Viola em Mangabeira de Dias da Silva).
Além dos poetas populares e repentistas - Mundoca do Sapé. De Luiz Firmino de Souza. De Joaquim Firmino de Souza, o Sítio Sapé deu ao mundo (a Mangabeira) o poeta sertanejo Cícero Laurentino dos Santos. Todo mundo daquelas bandas o conhece como Cícero Macário.
O ano de nascimento foi o de 1950. Vinte e cinco de junho de 1950. Do lugar você já sabe: Sapé.
São pais de Cícero Macário - José Laurentino dos Santos e Francisca Maria da Conceição.
Não andou muito nos estudos formais. Chegau a cursar a quarta série do fundamental - quarto ano primário. Entrou bem dentro foi na escola da vida que é a de todo mundo. E é onde a gente aprende tudo: a viver. A ganhar. A perder. A sorrir. A chorar. A sofrer. A animar-se. A desanimar. A cair. A erguer-se. É uma escola sem sala. Sem professor. Sem livro. Mas que é a do livro maior e mais completo - o da existência.
Pois bem: foi essa escola que formou (está formando) Cícero Macário. Além deste diploma (são tantos com diplomas formais e enganchados pelos labirintos da vida), ele tem o de agricultor. Porque Cícero Macário é da roça. Da enxada. Do pesado.
Ele é um homem viajado. Até por São Paulo. Aliás, mora em São Paulo lutando pela sobrevivência.
A grande massa do povo brasileiro trabalha só para sobreviver. Com tendência para o subumano. Em busca da miséria. É o homem levando o homem à sobrevida. À subvida. À vida desumana. É o homem levando o homem à miséria. Que história é esta de a lei igualar as pessoas? Isso não funciona. A lei somente existe entre iguais. E a desigualdade tem o predomínio absoluto sobre a igualdade. Então a inexistência de lei perante o que todos são iguais. O que há é muita exploraçao do mais forte sobre o fraco. Do de posses sobre o que nada tem. E é uma situação imutável: sempre haverá exploradores e explorados. Sempre os com muito e os com muito pouco. Haverá sempre gente pisando gente. Gente tirando de gente. "Pobres, sempre os tereis entre vós". E acrescente-se agora: miseráveis. E infrutífera, assim, a luta pela igualdade. Sem dúvida alguma. Deve-se lutar sim pelo menos, para diminuir tantas diferenças. É possivel sim. Mas quem quer fazer assim? Só uma banda (com muito mais gente): a que está no debaixo de. Só a espezinhada. A minoria só quer o bem-bom. Só a fartura. Só o gozo. Sem acordo.
A gente já vai se esquecendo de Cícero Macário. Pois bem: ele tem residência em São Paulo. É onde trabalha. Acompanhou, de perto, o governo de Mário Covas. Homem que deixou luz no caminho. Político - coisa tão rara! - sem fingimento e sem promessas (mais raro ainda). Pessoa sem grandeza (muitos só querem ser grandes. Ter fama. Ter o nome correndo o mundo). Homem honesto - e hoje a gente tem vergonha de dizer que o é. Homem que lutou ao lado do povo e acordou lá deixando o povo lutando só.
Com as sextilhas seguintes, Cicero Macário desenha o retrato, em versos, do ex-governador de São Paulo - Mário Covas:
"Este é um poema triste
Que a escrever me dispus
Sobre o nosso Mário Covas
Um nome de muita luz
Deixou a gente em lamento
E foi morar com Jesus"
"Mário Covas era governo
De muita capacidade
Político sem fingimento
Um coração sem maldade
Após setenta anos
Partiu deixando saudade"
"Político sempre tem
Paixão pelo contrário
Porém Mário Covas era
Amigo extraordinário
Deixou lamento e tristeza
No partido adversário"
"O Mário Covas era
Um homem sem avareza
Fiel simples e honesto
Não conhecia grandeza
Batalhador incansável
Muito amigo da pobreza"
"A grande lamentação
Para a massa popular
É ver homem tão forte
Disposto a trabalhar
Voar qual passarinho
Para nunca mais voltar"
"Mário Covas foi tragado
Pelo destino tirano
Qual uma gota de água
Dentro do grande oceano
Nem esperou o outono
No terceiro mês do ano"
"Morte triste e cruel
Pra que fizeste este mal?
O povo lutando só
Já passou o Carnaval
Deste pra Mário Covas
Foi um cartão funeral"
"Uma doença maligna
Apoderou-se do peito
Operação e remédio
Em nada pôde dar jeito
No dia cinco de Março
São Paulo perdeu seu pleito"
"Ficou Geraldo Alckmin
Com toda perseverança
Continuando seu plano
O povo tem confiança
De nosso Mário Covas
Restou somente a lembrança"
"Dona Lila Covas e filhos
Ficaram de sentimento
O Palácio do governo
Ficou triste um momento
Santos recebeu de volta
O filho de nascimento"
IMAGEM.




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